segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Literatura nas paradas leva o mundo das letras para as ruas de Palmares

 Gilberto Tenório

Ação que integra a programação do Festival Pernambuco Nação Cultural da Mata Sul teve início nesta segunda com a instalação de Biblioteca Itinerante no Terminal Rodoviário da cidade
Espaço marcado pela constante chegada e saída de pessoas, o Terminal Rodoviário Municipal dos Palmares recebeu uma visita incomum na tarde dessa segunda (17). Devidamente caracterizado como um brincante da cultura popular, o ator Adriano Cabral montou acampamento no espaço, convidando os transeuntes a conhecerem a biblioteca montada no saguão do terminal. A ação intitulada “Literatura nas paradas – Biblioteca Itinerante” integra a programação do Festival Pernambuco Nação Cultural da Mata Sul e segue até a próxima quarta-feira (19).

O projeto concebido e executado pela Coordenação de Literatura da Secretaria de Cultura de Pernambuco tem sua primeira edição lançada no festival da Mata Sul. O objetivo da ação é levar o livro como objeto simbólico para o cotidiano das pessoas, se apropriando de lugares pouco usuais. “A provocação de você montar uma biblioteca em uma rodoviária para que as pessoas possam levar, emprestar e trocar obras literárias é importante para fortalecer essa imagem do livro enquanto objeto presente no cotidiano das pessoas”, comenta o coordenador de Literatura da Secult-PE, Wellington de Melo. Os livros poderão ser retirados gratuitamente e também serão aceitas doações de títulos diversos.

Um dos destaques do projeto é que o nome da biblioteca será escolhido através de votação pelos que circulam no terminal. Os interessados devem votar em personagens que façam parte do dia a dia do lugar, como comerciantes, seguranças e motoristas. “Com esta ideia pretendemos aproximar ainda mais os que passam diariamente pelo espaço da biblioteca, criando uma sensação de pertencimento, que para nós é fundamental quando se fala de cultura”, completa Wellington.

Para o ator Adriano Cabral, o diálogo entre as artes cênicas e a literatura é outro diferencial importante do projeto. “Agregar o teatro e a cultura popular a este projeto é muito gratificante. Sem falar que a ação democratiza a cultura e o acesso ao conhecimento, promovendo esta interação dentro do cotidiano das pessoas”, destacou.

Outra boa notícia é que a biblioteca deverá permanecer após o término da edição deste ano do festival. De acordo com Wellington de Melo, a Coordenação de Literatura da Secult-PE entrou em contato com a Fundação Casa de Cultura Hermilo Borba Filho para que o projeto seja mantido. “Para nós é importante que as ações deixem sua marca na região. Vamos deixar a biblioteca aqui e iremos promover durante o festival uma ação de arte-educação para sensibilizarmos as pessoas a respeito da importância desse espaço”, explica.

Os títulos disponíveis na Biblioteca Itinerante são projetos de livros aprovados pelo FUNCULTURA. “Com isso podemos também dar visibilidade a atual produção literária do estado, garantindo um espaço para estas obras que de repente não teriam em uma livraria convencional”, completou o coordenador de Literatura.
O projeto “Literatura nas paradas” também contará com intervenções urbanas em pontos de ônibus da cidade, com recital de poemas de Ascenso Ferreira, natural de Palmares, e de Waldemar Lopes, do município de Quipapá.

fonte:  Portal Pernambuco Nação Cultural - penc@intercidadania.org.br

sábado, 15 de outubro de 2011

Justiça mantêm os livros didáticos da série "Por uma vida melhor"

Data da publicação: 13/10/2011
Estudantes do Ensino de Jovens e Adultos (EJA) vão continuar utilizando os livros didáticos "Por uma Vida Melhor" da coleção "Viver, Aprender" distribuídos em todo o país. A Advocacia-Geral da União (AGU) comprovou, na Justiça, que a obra está plenamente de acordo com os parâmetros curriculares nacionais para o ensino fundamental.
A Procuradoria Regional da União da 3ª Região (PRU3) explicou que a escolha e aquisição das obras para o Programa Nacional do Livro Didático para a Educação de Jovens e Adultos (PNLDEJA) é feita de forma técnica por membros do Ministério da Educação e não pode ser discutido pelo Poder Judiciário, exceto casos de ilegalidade ou abuso de poder.
Além disso, não existe fato que justifique que obra seja retirada de sala de aula. "Ao contrário, a comunidade cientifica proferiu diversas manifestações em defesa do livro", justificaram os advogados públicos que atuaram no caso.
Os advogados da União sustentaram que o livro faz parte da política pública educativa para jovens e adultos, que já possuem uma bagagem cultural e que devem aprender as diferenças entre a norma culta e as variantes que aprenderam antes de chegar à escola.
A PRU3 ainda ressaltou que as críticas ao livro foram feitas usando pontos isolados da obra que alteraram a verdade dos fatos para conseguir objetivo ilegal, de natureza política, o que caracteriza litigância de má fé.
Foi ajuizada Ação Popular na Justiça Federal de Paulo com pedido de liminar contra a União, o Ministério da Educação e a Editora para que fossem recolhidos todos os exemplares do livro por possuírem erros graves de concordância.
O Juiz da 13ª Vara Federal da 1ª Subseção Judiciária de São Paulo, entretanto, concordou com os argumentos da PRU3 e impediu o recolhimento do livro. Na decisão o magistrado destacou que diversos pareceres de expertos técnicos contestaram o entendimento de que o livro é inadequado ao ensino de jovens e adultos.
O magistrado também considerou que por faltar apenas três meses para o final do ano letivo não haveria tempo hábil para a realização de outro certame licitatório para a aquisição de nova publicação.
A PRU3 é uma unidade da Procuradoria-Geral da União, órgão da AGU.

Ref.: Ação Popular nº 0008103-24.2011.403.6100 - 13ª Vara Federal da 1ª Subseção Judiciária de São Paulo.

Uyara Kamayurá

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Ecofuturo e Observatório do Livro se unem pelo Dia Nacional da Leitura

Ascom - 04/10/2011


TODO DIA É DIA DE LER e BIBLIOTECA TODO DIA  são os motes da campanha e a base da construção do site lançado hoje (3), pelo Instituto Ecofuturo para a mobilização  para o Dia Nacional da Leitura, em 12 de outubro, a fim de compartilhar informações fundamentais para uma ampla participação da sociedade em prol da discussão de uma política pública de leitura e de bibliotecas.

A campanha, que conta novamente com o apoio da Fundação SM, está aberta à  toda a sociedade e quem quiser aderir – ou simplesmente encontrar dados e dicas sobre promoção de leitura – encontra um verdadeiro serviço de utilidade pública no site  www.ecofuturo.org.br/diadaleitura.

Lá estão disponíveis para download gratuito materiais como o “Passaporte da Leitura e da Escrita pra Qualquer Lugar do Mundo”, publicação de bolso do Ecofuturo com dicas sobre como inserir a leitura na vida de crianças e jovens de todas as idades; Roteiro de Leitura Pública, que traz orientações para a organização de uma boa roda de leitura; sugestões de leitura por faixa etária, além de outros materiais e uma cuidadosa seleção de obras dos maiores nomes da literatura nacional e internacional.

A sessão especial do site BIBLIOTECA TODO DIA traz informações valiosas para a prática da cidadania como: o processo de tramitação de um projeto de lei em Brasília, projetos de lei em tramitação sobre leitura e bibliotecas; nomes e dados para contato com as comissões de educação da Câmara e do Senado; manual sobre como a gestão pública pode viabilizar a efetividade da Lei 12.224/10, que determina instalação de bibliotecas em todas as escolas do País até 2020; a íntegra da Lei 12.244; e cases de política pública de leitura e biblioteca em países da América Latina. “Este é um espaço para oportunizar a participação de todos e concretizar o direito do pleno acesso ao conhecimento disponibilizado nos livros”, comenta Christine Fontelles, diretora de Educação e Cultura do Instituto Ecofuturo.

Neste ano, o Ecofuturo conquistou a parceria do Ministério da Cultura e da Fundação Biblioteca Nacional para fazer um convite especial aos profissionais de bibliotecas públicas, pontos de leitura e de cultura de todo o País para que abram suas portas e realizem leituras de literatura no feriado de 12 de outubro. O convite é para uma mobilização nacional por políticas públicas que ofereçam condições para que as bibliotecas permaneçam abertas todos os dias, incluindo período noturno, finais de semana e feriados, como acontece em outros países.

Em São Paulo, a renovação do apoio da Secretaria da Cultura garantiu envio de convite às bibliotecas públicas que integram o Sistema Estadual de Bibliotecas e viabilizará que o dia 12 de outubro seja um dia de celebração especial na Biblioteca de São Paulo, com amplo apoio da equipe da biblioteca e da SP Leituras, organização social responsável por empreender ações de promoção de leitura na cidade. O evento, que acontece das 12h às 19h, é organizado pelo Ecofuturo em parceria com a SP Leituras e traz diversas atrações como estações de leitura de literatura, feira de troca de livros, sessões de leitura para todas as idades e até revoada de balões biodegradáveis. .

Ainda no dia 12, em São Paulo, está prevista uma ação inédita: o time de futebol Corinthians entrará em campo pelo Campeonato Brasileiro com o slogan da campanha do Dia Nacional da Leitura: TODO DIA É DIA DE LER, e uma faixa alusiva ao tema.

Até o dia 12, a campanha será movimentada por meio de redes sociais como o blog do Dia Nacional da Leitura e o Facebook do Instituto Ecofuturo, onde há acesso a um aplicativo e ao selo “Eu apoio o Dia Nacional da Leitura”, para que os participantes da campanha possam se identificar e replicar a campanha às suas redes de contato.

Construção da linguagem, desenvolvimento do raciocínio lógico e da criatividade são só alguns dos muitos ganhos proporcionados pela leitura desde a primeira infância. E para que essas informações cheguem a pais, professores de escolas públicas e privadas, educadores de projetos sociais e educacionais e profissionais de biblioteca de todo o País, desde agosto, o Ecofuturo está articulando uma rede de parcerias com organizações sociais para as ações da Semana da Leitura e Literatura e para o Dia Nacional da Leitura deste ano.

Cerca de 43 organizações confirmaram adesão à campanha e vão divulgar e promover ações pelo Brasil.
No último ano, as articulações do Instituto Ecofuturo resultaram em atividades de leitura em todo País, por meio de parcerias com 50 instituições do terceiro setor, órgãos governamentais e iniciativa privada. A campanha de mobilização integra o Programa Ler é Preciso, que já viabilizou a implantação de 88 bibliotecas comunitárias em 11 estados brasileiros por meio de cooperação intersetorial.  O Dia Nacional da Leitura foi instituído, oficialmente, pela presidência da República em 2009, após três anos de mobilização do Instituto Ecofuturo. A data escolhida aproveita a oportunidade de celebração da infância para alertar sobre a importância da oferta de literatura para crianças, desde a gestação.
Sobre o Instituto EcofuturoO Instituto Ecofuturo é uma organização não-governamental que trabalha em projetos que entrelaçam educação e meio ambiente com a missão de gerar e difundir conhecimento e práticas para a construção coletiva de uma cultura de sustentabilidade. Acredita que saber ler, escrever e argumentar com competência é essencial para acessar os conhecimentos necessários para promover a sustentabilidade de todas as vidas.

Atua como influenciador de políticas públicas articulando parcerias com instituições, empresas, governo, pesquisadores, comunidade e universidades. Criado em 1999 e mantido pela Suzano Papel e Celulose, é qualificado como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) e tem atuação autônoma.

fonte:  http://www.blogdogaleno.com.br/texto_ler.php?id=10623&secao=32

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Queremos fazer de nossas crianças “Marias”?

O post “Infância Sustentável”, publicado na semana passada aqui no Giro Sustentável, mencionava a importância da educação e do exemplo como a melhor e única maneira de influenciar os outros.
Ao pensar nisso, e levando em consideração o âmbito familiar como primeiro grupo de contato que a criança tem, surge uma discussão delicada. A família é vista como principal responsável por desempenhar algumas funções básicas para a educação e o desenvolvimento dos mesmos.
E isso está previsto inclusive no quarto artigo do Estatuto das Crianças e Adolescentes (ECA): “É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária”.
Estudiosos da área afirmam que é por meio da família que garantimos a sobrevivência, o desenvolvimento e a proteção integral dos filhos, e demais membros. E, mesmo com todas as mudanças sociais, econômicas e morais que vivenciamos ao longo dos anos, a família continua tendo papel decisivo.
É nela que as crianças e adolescentes absorvem os valores éticos e humanitários e onde aprofundam os laços de solidariedade. O curta metragem “Vida Maria” (veja abaixo), traz um exemplo da relevância da família na vida das crianças.
Pensando nisso, pergunta-se: Estamos cuidando do nosso ambiente familiar? O que estamos ensinando aos nossos filhos? Será que queremos fazer de nossas crianças “Marias”?

Acesse o site e assista ao vídeo.


http://www.gazetadopovo.com.br/blog/girosustentavel/?id=1176453&tit=queremos-fazer-de-nossas-criancas-%22marias

domingo, 2 de outubro de 2011

Café literário - 16/10

Neste sábado, dia 16/10, às 9 horas, o grupo do Círculo de Leituras de Pontal do Paraná se encontrará para um Café Literário na Biblioteca Abílio João Viriato, em Ipanema. O encontro é aberto para todos e para participar basta levar alguma coisa para beber ou comer e para ler. Aproveite também para fazer a carteirinha da biblioteca levando xerox da carteira de identidade e um comprovante de endereço.

SUGESTÃO DE LEITURA – GRUPO CÍRCULO DE LEITURAS

Como sugestão, indico o livro DEWEY – Um gato entre livros.
É uma história real de um gato que fez da biblioteca o seu lar após ter sido abandonado na caixa de coleta de livros. Ele mudou uma cidade, no estado de Iowa – Estados Unidos.
Escrita por Vicki Myron, com colaboração de Bret Witte, esse livro está longe de ser apenas a história de um gato, como outras tantas histórias já conhecidas que envolvem animais. Há um pouco da história da cidade, da história da própria autora e muita emoção com o personagem principal, até mesmo para aqueles que não são amantes dos gatos.
Vale à pena conferir! Esse livro também pode ser encontrado no espaço Indústria do Conhecimento, no Balneário Canoas. 

Profª Roselane Santos

Morador de rua e... leitor!

Por Galeno Amorim
Endereço fixo ele não tem. Trabalha, come, dorme e vive na rua. Só não aceita ser mendigo. Mesmo porque ele ganha a vida vendendo pipoca e biscoito - e, todos os dias, gasta cinco reais para tomar banho e comer. Sem um teto para se abrigar, ele mora, de certo modo, no próprio local de trabalho: um carrinho de mão, construído com suas próprias mãos, que montou com uns pedaços de tábua e bugigangas encontradas no lixo.

E o que Márcio Pereira dos Santos - que, desde que deixou, há três anos, a casa dos pais, no Rio Grande do Sul, ganhou o apelido de Gaúcho - tem de diferente dos outros milhões de moradores de rua que, como ele, habitam praças e calçadas das metrópoles?

Ele lê muito, o próprio Márcio responde. E, com isso, acrescenta, ainda consegue manter alguma sanidade, em que pese toda a dureza e certa crueldade na selva de pedra das ruas para quem leva esse tipo de vida, digamos, nada convencional.

Esse rapaz de 34 anos, bem-apessoado, com título de eleitor, cartão de crédito e até conta de e-mail, lê de tudo. Jornais velhos e revistas que encontra por aí. E livros, os mais diferentes deles: sociologia, política, romances... E, naturalmente, a Bíblia, pois a vida, definitivamente, não é fácil.

Márcio gostava de ler como passatempo. Mas desde que resgatou de uma lata de lixo o livro Biblioteca de Sociologia Geral, de Nello Andreoti Neto, passou a se interessar por temas sociais. Leu, releu e refletiu muito. Sobre sua vida e as suas escolhas. Descoberto, dia desses, pelo jornal O Globo nas ruas do centro do Rio de Janeiro, ele diz ter aprendido nessa vida ao léu como funcionam, para pessoas que, como ele, moram nas ruas, as políticas sociais do país.

Suas opiniões sobre a função social da leitura não ficam devendo nada a nenhum especialista:

- O livro é bom porque você confronta suas opiniões com as do autor e aprende - ele filosofa.

Além de conta bancária, carteira de identidade e conexão com a rede mundial de computadores na lan house mais próxima, Márcio dos Santos faz questão de dizer que, embora morando na rua, é um cidadão. Como qualquer outro. Foi lendo que ele descobriu, por exemplo, o que pouca gente sabe: que qualquer pessoa que esteja abaixo da linha de pobreza, como é o caso dele, tem o direito de receber ajuda do governo.

Por isso, foi lá e se cadastrou no Bolsa-Família, que recebe regularmente. Mas por que, afinal, ele ainda se dá ao trabalho de ler?! (um livro de meio quilo, que ele carrega na mochila, parece pesar horrores após alguns meses nas suas costas...).

É o próprio Márcio, leitor confesso de Monteiro Lobato, quem dá a resposta:

- O livro me faz relaxar a mente...

fonte: http://www.observatoriodolivro.org.br/

Leitores antes mesmo de nascer

PublishNews - 23/09/2011

Bebês embalados por livros e histórias que os manterão conectados ao hábito da leitura por toda a vida. Esse estímulo ao contato com as histórias desde a gestação e o nascimento -- assim como a promoção da leitura entre as mães, pais e cuidadores das crianças -- é o objetivo do programa Bebelendo, inspirado também nas ações de formação de leitores das Jornadas Literárias, que já faz experiências práticas.

Desde fevereiro de 2010, o projeto idealizado por Rita de Cássica, à época professora da Universidade de Passo Fundo e hoje consultora da Unesco, é aplicado nos municípios gaúchos de Erechim e Tapejara. Hoje, cerca de 40 pessoas participam do projeto -- gestantes e bebês de famílias de vulnerabilidade social -- que tem apoio financeiro da Unesco e conta com aparatos físicos e funcionários da prefeitura dos municípios. E muitos resultados já estão sendo observados: os bebês que participaram do programa mostram maior atenção às histórias e interesse pelos livros, enquanto as mães leem mais e servem como mediadoras não só com o bebê, mas também com os outros filhos. Agora, a expectativa de Rita é conferir o resultado na fala dos bebês.

As últimas descobertas da neurociência mostram que de 0 a 3 anos acontece um importante desenvolvimento cerebral. E que pode haver mudanças de acordo com os estímulos fornecidos. “Os comportamentos dessa fase servem de base para a vida toda”, explica Rita. Através do contato com a leitura e literatura neste período, acredita-se que a criança também vai ter uma capacidade linguística mais bem desenvolvida: 50% da capacidade é hereditária, e 50% pode ser influenciada pelo meio. “Então, se as mães leem mais elas também influenciam na capacidade linguística do filho.”

O projeto propõe que desde a gestação a mulher participe de encontros semanais nas bibliotecas municipais. Em um primeiro momento, a professora Rita explica às mães a importância de estimular a leitura e a contação de histórias desde a gestação. Então, a partir do sétimo mês, as gestantes passaram a se encontrar semanalmente com duas mediadoras na biblioteca para ouvir uma história contada, aprender cantigas de ninar e parlendas – que devem contar e cantar aos bebês. Aos poucos, são estimuladas a introduzir as histórias e os livros a eles.

Passado um ano e sete meses de trabalho, os resultados são animadores. “Observamos claramente que os bebês desenvolveram comportamentos de leitores. Eles prestam muita atenção quando se contam histórias, muito mais do que os bebês que não participaram do programa”, conta Rita.

Outras descobertas: o vínculo afetivo entre a mãe e o bebê ficou mais forte e os pequenos também ficaram mais sensíveis à música e se movimentam no ritmo dela. Por sua vez, as mães também desenvolveram comportamentos de leitoras, retirando em média três livros por mês da biblioteca. “Agora estamos ansiosos para ver os resultados na fala dos bebês, de como as histórias estimularam a sua capacidade linguística”, diz Rita.

O programa piloto do Bebelendo vai durar ao todo três anos, contando com a parceria da Unesco. Resultado do trabalho de mestrado da professora Rita, o projeto é detalhado no livro Programa Bebelendo – uma intervenção precoce de leitura, escrito em parceria com a sua orientadora de Mestrado, a professora Tania Rösing, que também é coordenadora das Jornadas Literárias de Passo Fundo. “A grande meta é que o programa se torne uma política pública em todo o País”, entusiasma-se Rita.

fonte: http://www.blogdogaleno.com.br/texto_ler.php?id=10603&secao=32