Por Cibele Graziele Gonçalves Nunes*
Sempre gostei muito de estudar, mas sempre me achei menos
inteligente que os demais, meus primos e até mesmo meu irmão mais velho.
Éramos muito humildes e por essa
razão não tínhamos livros a nossa disposição, o único que tenho lembrança era o
Sagrado Coração de Jesus, que pertencia a minha mãe e que eu insistia em ler,
mesmo sem entender muito por conter palavras difíceis.
Adorava ir à casa da minha tia, pois
ela sempre comprava lindas coleções de livros para minha prima e eu sempre lia
escondido, pois ela não gostava que eu os pegasse.
Adorava todos, mas os três porquinhos era o que eu tinha verdadeiro
fascínio.
Como eram poucas ás vezes que eu ia à casa da
minha tia, eu não tinha o hábito e o Em compensação, adorava a hora de ir
dormir, pois era o momento em que minha mãe podia ficar grudadinha em mim e nos
meus irmãos, depois de um dia inteiro separados. Ela costumava contar-nos
histórias de todos os tipos, desde chapeuzinho vermelho até histórias de sua
vida, histórias bíblicas, a escolha de nossos nomes, como conheceu nosso pai,
etc...
Mas foi na 5ª série que conheci
minha fada madrinha e por coincidência, professora (risos), professora Sônia
Maria Espanha Messani. Ela começou a me instigar à leitura, colocava livros à
beira do quadro no final da aula e dizia que terminasse podia pegar um para
ler.
No início apenas folheava e colocava
novamente no lugar, até que um dia escolhi um pela capa, onde aparecia um
menino adolescente com uma esfinge e o deserto ao fundo, o título era “O anel
de Tutancâmon” da série biblioteca juvenil, da Editora Melhoramentos e quando
li descobri que através dos livros eu podia conhecer lugares, viajar mesmo sem
sair do lugar.
Sou muito grata até hoje a essa
professora que sempre me incentivou e acreditou que eu era inteligente e
poderia ser uma ótima leitora.
Por isso, indico a leitura do Anel
de Tutancâmon, pois é um livro que desperta a curiosidade e leva os leitores
pra dentro da história, principalmente pra adolescentes que gostam de uma boa
aventura, pois conta a história de um garoto criado pelos avós no Rio de
Janeiro e que vê o pai apenas de 6 em 6 meses por ele percorrer o mundo como
fotógrafo, ao completar 14 anos e completar o ginásio, ganhou uma viagem ao
exterior, como seu pai havia prometido. Foi ao encontro dele no Egito, onde
conheceu muito da cultura, só que de uma maneira muito mais emocionante ao ser
capturado por mafiosos que roubavam artefatos valiosos de museus e que passaram
a caçá-lo depois dele ter comprado de um comerciante o anel de Tutancâmon
achando que era uma réplica. Nesse livro é possível saber um pouco da história
do continente africano, com suas lutas internas, bandos,tribos primitivas,
nômades e os conflitos alimentados por diversas facções políticas.
Guerrilheiros, mercenários, a guerra
da Etiópia, a guerra da Eritréia e todo o retrato da África que chega ao jovem
leitor numa aventura emocionante, mas que se reflete sobre as relações humanas
e as diferenças raciais e culturais, onde a tecnologia e o mundo moderno
convivem com o pensamento arcaico e o modo de vida de povos em outra etapa de
civilização. Sem contar o mistério e a beleza da arte dos faraós, os tuaregues,
o retrato da fome, da sede no deserto em momentos que emocionam.
* Cibele Graziele Gonçalves Nunes faz parte do Círculo de Leitura "Fuxicando Livros" realizado no município de Pontal do Paraná.